TCE – UM RELATÓRIO QUESTIONÁVEL SOBRE O ENSINO EM PORTO ALEGRE

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A imprensa na manhã de hoje deu grande destaque à divulgação de um relatório feito por técnicos do Tribunal de Contas do Estado – TCE/RS sobre o sistema educacional da cidade de Porto Alegre.

Devo ressaltar que sempre fui o primeiro a buscar informações e subsídios para que a nossa rede pudesse ir se aperfeiçoando gradativamente, algo absolutamente necessário para um país onde a educação costuma ficar em último lugar. Durante 3 anos negociamos com o Banco Mundial um financiamento de 82 milhões de dólares (R$ 264 milhões de reais) com o objetivo de 1º) qualificar o ensino 2º) qualificar a gestão e 3º) melhorar a infraestrutura da rede educacional.

Isso demonstra a nossa permanente preocupação com a qualidade do ensino da rede pública municipal. A discordância com o “relatório do TCE” é de que ele, mesmo reconhecendo que “Porto Alegre é a Capital do país que mais tem investido na educação” termina utilizando dados incompletos para atacar a qualidade de ensino da nossa cidade.

Ao longo da minha vida tenho me dedicado para esta importante área. Na década de 1970 desenvolvemos o Método Paulo Freire nas vilas da Grande Cruzeiro, especialmente na Vila Tronco. Na condição de parlamentar sempre fiz parte das Comissões de Educação da Assembléia Legislativa e na Câmara Federal. Em Brasília participei da equipe parlamentar que elaborou, na Câmara, a proposta da nova LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

Fui Secretário de Estado da Educação de 2003 a 2006 momento em que o nosso Estado recebeu o reconhecimento de possuir as “Melhores Escolas Públicas de Ensino Médio do País” (capa de Zero Hora, 10/12/2004) e implantei o projeto Escola Aberta para a Cidadania que fortaleceu a relação das escolas com as comunidades escolares.

Na condição de Prefeito (2010/2016) investimos fortemente na educação e consolidamos o Projeto Escola de Tempo Integral em todas as escolas do município. Foram 7 anos em que a educação sempre mereceu destaque em nosso Governo.

PROFESSORES FORA DA SALA DE AULA

Um dos primeiros equívocos do Relatório diz respeito à constatação de que 11% dos professores da rede estão fora da sala de aula cumprindo com outras obrigações. Lendo de forma fria e distante este percentual soa como algo estranho onde alguns estariam sendo “protegidos” enquanto outros ficariam sobrecarregados em sala de aula.

A vida real numa escola mostra que, infelizmente, existe um número elevado de professores que ficam doentes e são atendidos por médicos especialistas. Um determinado número acaba, ao passar pela junta médica, não sendo mais autorizado a retornar para a sala de aula, fazendo a chamada “readaptação profissional” para poder cumprir com outras funções. Desta forma o professor mantém o seu vínculo com a escola prestando serviços na biblioteca e em outros setores da administração escolar. É importante salientar que esta “readaptação” não é decidida nem pela Direção da escola e muito menos pela SMED: trata-se de uma avaliação técnica de uma junta médica que analisa a real situação física e emocional do profissional.

RELAÇÃO ENSINO/APRENDIZAGEM

Alguns tentam simplesmente comparar o grau de aprendizagem de uma escola de periferia (onde se encontram a maioria das escolas municipais) com uma escola de classe média seja ela pública ou privada. Um aluno de periferia pode ter em sala de aula a mesma qualidade de ensino com excelentes profissionais (e a maioria os têm já que praticamente todos os professores de POA tem mestrado ou doutorado), mas, certamente, não disporá das mesmas condições objetivas de aprendizagem durante o restante do seu dia. Todos sabem que a relação ensino/aprendizagem acontece durante as 24 horas de qualquer cidadão. Ele não terá uma moradia que lhe permita dormir com tranquilidade em dias de temporais e fortes chuvas (como a que tivemos na noite de ontem), seus pais normalmente não possuem uma formação escolar que ultrapasse o ensino fundamental (ou menos), não tem acesso a um curso de língua estrangeira moderna fora da escola, não frequenta clubes esportivos, não tem acesso a internet fora da escola, não tem acesso a revistas e jornais diários, não tem uma alimentação adequada para a manutenção da sua saúde, normalmente é obrigado a cumprir com outras tarefas no turno inverso (como exemplo, cuidar da irmãzinha mais nova) enquanto os pais estão trabalhando, está mais sujeito a várias formas de violência (física, emocional, sexual, etc), etc., etc…

Não estou dizendo com isso de que as crianças de famílias mais carentes, da periferia, não possam aprender em igualdade de condições com uma criança de família de classe média ou alta. Simplesmente estou afirmando que as dificuldades impostas pelo cotidiano real destas crianças terminam dificultando o seu aprendizado. Basta dar a elas às mesmas oportunidades e elas demonstram toda a sua capacidade. A vida nas vilas tem nos fornecido inúmeros exemplos de alunos, de turmas, de escolas, com elevado desempenho educacional.

ESCOLAS MUNICIPAIS E ESTADUAIS

A pergunta que sempre surge é a seguinte: com tanto investimento porque Porto Alegre não consegue ampliar o seu conceito no IDEB? Em primeiro lugar é importante notar que a cidade tem crescido, mesmo que lentamente, na avaliação do IDEB.

Em segundo lugar, não se pode comparar a história das escolas públicas de POA com qualquer outra Capital. Até o início do mandato do Prefeito Alceu Collares, em 1986, o município tinha um convênio com o Governo do Estado em que a Prefeitura era a responsável pela construção da escola e o Estado pela sua gestão. Desta forma foram construídas 252 escolas que são, até hoje, administradas pelo Estado. Como o Estado vinha tendo dificuldades para construir novas escolas, especialmente na periferia, a então Secretária Neuza Canabarro decide romper o convênio com o Estado e a Prefeitura passou a construir e a administrar as novas escolas, hoje num total de 99 (sendo 56 de Ensino Fundamental, 2 de Médio, e as demais de Educação Infantil).

Desta forma, o Município passou a ter uma rede própria tendo um Plano de Cargos e Salários bastante avançado, o que torna o salário dos professores da rede municipal um dos melhores do país. Como praticamente todas estas escolas estão na periferia da cidade as dificuldades que relatei acima estão presentes na quase totalidade da vida dos seus alunos.

Pode-se então afirmar que o IDEB das escolas estaduais, que atendem uma grande parte da classe média da cidade, também deixa a desejar. Neste caso não podemos ignorar a triste situação em que se encontra o Estado, desde há muito tempo. Enquanto na rede municipal temos um Piso Salarial de R$ 4.200,00 (40h e curso superior), no Estado o Piso não ultrapassa os R$ 1.700,00, (e ainda com pagamentos parcelados) o que tem levado a categoria a realizar várias greves e paralisações que terminam prejudicando o ano letivo dos alunos e, consequentemente, o seu desempenho educacional.

Ou seja, enquanto nas outras Capitais (e na maioria das cidades brasileiras) o ensino fundamental está totalmente nas mãos da prefeitura, esta realidade não acontece em Porto Alegre.

EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE

Certamente todos desejamos que as nossas escolas apresentem a melhor educação pública possível. O futuro do nosso país depende disso. Mas, isto só irá acontecer quando compreendermos a complexidade do meio em que as escolas públicas estão localizadas e as suas interdecorrências. Conheço a maioria das escolas públicas do RS e de POA e sou testemunha de centenas de excelentes projetos que estão sendo desenvolvidos para um melhor desenvolvimento dos nossos alunos.

Temos que avançar. Com certeza. Mas, isto só acontecerá se respeitarmos as Comunidades Escolares e as suas realidades e investindo para que a qualificação da gestão, do ensino e da infraestrutura aconteça de forma permanente. Tenho a convicção de que fizemos isso ao longo dos últimos anos e deixamos R$ 264 milhões para que a caminhada continue segura, apesar da crise econômica que se abate sobre o país.

AFASTAMENTO DO FACINEPE

AFASTAMENTO DO FACINEPE

Mesmo tendo a certeza de que o Grupo Educacional FACINEPE vinha funcionando regularmente, conforme nota abaixo, tomei a iniciativa de me afastar da função exercida desde o início de fevereiro de 2017 junto à instituição.

As questões relacionadas com o Sr. Faustino da Rosa Júnior serão devidamente respondidas por ele.

Estou me desligando do Grupo porque tenho a convicção de que a minha presença potencializa os boatos, rumores e ataques à instituição. Saio com a consciência tranquila de que ao longo deste pequeno período trabalhei para fortalecer o lado Educacional da Instituição.

NOTA: http://facinepe.edu.br/2017/03/02/nota-de-esclarecimento/

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Confiança e parceria

Ao longo do processo eleitoral várias pessoas me perguntavam por que eu estava apoiando a candidatura do Melo. Sem pestanejar sempre reafirmei que o meu apoio ao Melo estava baseado numa firme e sólida parceria firmada ao longo dos últimos quatro anos de mandato onde ele foi um vice ativo, presente e colaborativo. Sempre acreditei que o mais importante nas relações políticas (e mesmo pessoais) tem que levar em consideração os elos de confiança e de parceria que são construídas especialmente nos momentos mais delicados e difíceis da nossa caminhada. Não apoiei o Melo por ele pertencer a um determinado partido, mas pela sua postura, visão de sociedade e dedicação à causa pública.

Não obtivemos um êxito eleitoral, mas uma reflexão das causas nos ajuda a compreender o processo e a pensar o futuro. Enfrentamos um processo eleitoral na maior crise econômica após o “crash” de 1929 com mais de 12 milhões de desempregados e uma queda brutal no repasse dos recursos dos Governos Federal e Estadual para os municípios. A crise do Governo Federal atingiu em cheio Porto Alegre, pois o volume de recursos que deveriam ser repassados para a prestação de serviços terminou diminuindo assustadoramente. Exemplo é o que tivemos na área da Saúde com a diminuição de R$ 65 milhões de reais para cobrirmos o atendimento do SUS. Além disso, os serviços de saúde do interior do Estado também entraram em colapso. Somente na cidade de Canoas foram fechados 104 leitos hospitalares. O Hospital de Charqueadas fechou as suas portas, bem como o de Rio Grande. O Hospital de Montenegro deixou de atender as chamadas “especialidades”, entre tantos outros casos que atingiram os serviços de saúde das cidades do interior. A consequência disso foi um aumento substancial de pacientes do interior buscando o serviço de saúde na cidade de Porto Alegre. A chamada “ambulancioterapia” foi ainda mais incrementada. Segundo a “Contratualização” que temos com os Governos Federal e Estadual a cidade de Porto Alegre deveria atender 60% dos usuários do SUS da própria Capital e 40% de pacientes do interior do Estado. Neste momento, por exemplo, estamos atendendo 65% de pacientes do interior e 35% de pacientes da Capital na “alta complexidade”.

Isto criou a corrente da “renovação” que acabou derrotando nas urnas prefeitos e aliados em cidades como Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte ou aqui em Canoas e Caxias do Sul.

Além do mais, em função da grave crise financeira que atinge o Governo do Estado levando ao parcelamento dos salários dos servidores e a falta de recursos para a contratação de mais profissionais na área da segurança estamos vivendo um dos mais graves momentos de insegurança no nosso Estado que atinge em cheio a Capital de todos os gaúchos. Este tema foi amplamente utilizado pela campanha do Prefeito Eleito Nelson Marchezan. Durante um ano insisti para a vinda da “Força de Segurança Nacional” por compreender que deveríamos buscar apoio para o trabalho da nossa aguerrida Brigada Militar e Polícia Civil.

As obras retiradas da gaveta depois de muitos anos (a av. Tronco está planejada desde 1961, como exemplo) e colocadas na vida real da cidade para a sua modernização não tem encontrado uma reflexão serena sobre as reais causas no atraso da sua entrega (protestos, desapropriações judiciais, não repasse de recursos por parte do Governo Federal, rochas, decisões da Infraero, licitações desertas para a construção de moradias, etc.,etc.) o que também impactou negativamente na candidatura do Melo.

Tenho a convicção de que apesar do revés eleitoral o vice-prefeito Sebastião Melo sai deste processo plenamente fortalecido como um homem público preocupado com a sua cidade e com a causa pública.

Investimentos garantidos para o futuro da Cidade

 

Um prefeito não pode pensar a cidade somente olhando para o seu mandato. É preciso olhar mais longe, pensar no que é melhor para o futuro de Porto Alegre. Ontem, após três anos de muito trabalho, conseguimos a aprovação por unanimidade no Senado do projeto que prevê a captação de U$ 92 milhões para a qualificação urbana da nossa Capital. Para 2016, serão aplicados cerca de U$ 35 milhões na revitalização da Orla, para atender demandas do Orçamento Participativo, para investimentos em tecnologia da informação e para melhorar o capeamento de diversas ruas. O próximo prefeito encontrará projetos e orçamentos de U$ 57 milhões para revitalizar a Rua da Praia, a Rua Uruguai, a Usina do Gasômetro e obras do OP. Quero agradecer o apoio dos senadores gaúchos, Ana Amélia Lemos, Lasier Martins e Senador Paulo Paim, que foram fundamentais para esta grande vitória de Porto Alegre.

Domingo de manifestações e respeito para fortalecer a democracia

Neste domingo, a Câmara dos Deputados aprovou mais uma etapa do processo de impeachment que agora vai ao Senado Federal. As pessoas foram às ruas, vestindo as cores de sua manifestação, com o respeito necessário para a cidadania e fortalecendo o estado democrático de direito, a cidade e o país.

 

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