CONTRA QUALQUER TIPO DE DITADURA

Diariamente sou questionado sobre a posição a ser adotada em relação ao processo que se desenrola na Venezuela. Um tema árido, complexo e que tem despertado inúmeras paixões.

Para se tomar uma posição sobre o que vem ocorrendo na Venezuela torna-se necessário fazer uma reflexão maior sobre os pilares da sociedade que desejamos construir.
Na década de 1970, quando lutávamos contra a Ditadura Militar, nosso sonho era pela implantação da “ditadura do proletariado” imaginando que ela seria a redenção dos oprimidos.
De lá para cá o “socialismo real” foi desnudado mostrando a sua face perversa e autoritária, com a perseguição, tortura e morte de todos aqueles que ousavam pensar de forma diferente.
As mesmas práticas das ditaduras de direita implantadas no Brasil, Uruguai, Argentina e Chile eram utilizadas nos países do “socialismo real”.

Isto demonstra que não existe “ditadura de direita” ou “ditadura de esquerda”: existe a DITADURA que oprime, censura à imprensa, proíbe manifestações, fecha partidos, sindicatos e organizações de oposição, tortura, mata e impõe pela força a sua vontade.
Não existem opções para os democratas: ou lutamos ferrenhamente pelo estabelecimento de um verdadeiro ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO amplo e profundo ou ficamos subjugados aos ditadores de plantão com discursos mais à direita ou à esquerda mas todos com a mesma prática autoritária.

Certamente alguns irão afirmar: mas no Brasil também não se tem um Estado Democrático de Direito. Concordo que estamos passando por um período turbulento e complexo. Mas é inegável que, com todos os defeitos inerentes aos seres humanos, as instituições estão funcionando, existe liberdade de expressão, as redes sociais não são censuradas, a liberdade de organização e manifestação está garantida, etc.

É natural que ainda temos um caminho longo pela frente para a consolidação plena da democracia. Mas as condições para avançar estão postas e as forças antagônicas se batem com critérios. Não podemos aguardar que as condições nos sejam absolutamente favoráveis para dizer que estamos numa democracia. É importante que o debate, a liberdade de expressão, de reunião, de organização, entre outros, exista para que o processo possa ser aperfeiçoado.
E isso não acontece na Venezuela.

Por José Fortunati

Sobre Fortunati
Prefeito de Porto Alegre, 58 anos, casado, apaixonado pela família, pelos animais, pela vida e pela Capital de todos gaúchos, Cidade que me recebeu de braços abertos quando deixei o interior para completar os estudos, e que hoje tenho o orgulho e a honra de administrar.

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