O RECADO DO PAPA FRANCISCO

foto-final-papaO seminário promovido pela Pontifícia Academia das Ciências Sociais, da Santa Sé, para debater a Encíclica “Laudato Sí” do Papa Francisco e que versa sobre a “Escravidão Moderna e Mudanças Climáticas: o Compromisso das Cidades”, enfatizou a necessidade de tratar de forma simultânea, e em igualdade de tratamento, as agendas ambiental e social.
O workshop, que contou com a presença do Papa Francisco e de 64 prefeitos de todos os continentes, culminou com a assinatura de um documento que declara, entre seus tópicos: 1) as mudanças climáticas induzidas pelo ser humano são uma realidade científica e sua mitigação decisiva é um imperativo ético para a humanidade; 2) neste espaço essencialmente ético, as cidades desempenham um papel vital; 3) os pobres e os excluídos enfrentam terríveis ameaças devido às perturbações climáticas e sociais; 4) a atenuação das alterações climáticas exigirá uma rápida transformação do mundo atual para um mundo alimentado por fontes energéticas renováveis; 5) ao mesmo tempo nos comprometemos a acabar com o abuso, exploração, tráfico e todas as formas de escravidão humana. Foi consenso de que a agenda ambiental tem merecido maior des taque porque ela atinge a todos, de uma ou outra forma.
O desafio é conseguir tratar a agenda social em igualdade de condições, já que ela atormenta somente os pobres e os que desenvolveram uma consciência para os problemas sociais. Na minha participação, como painelista, destaquei a importância de que os recursos financeiros, cada vez mais escassos em contrapartida com a crescente demanda social, sejam investidos a partir da decisão democrática da população, via Orçamento Participativo.
É com a participação da população que Porto Alegre vem realizando a maior obra ambiental de saneamento básico, o Pisa, a construção de milhares de habitações populares, atenção às crianças em vulnerabilidade social (o município é modelo nacional), ampliação do atendimento à saúde pública nas vilas populares, a licitação dos ônibus, obras de macrodrenagem, a coleta seletiva de resíduos em toda a cidade, que gera emprego a 800 ex-catadores, e a ampliação de 580, em 2010, para 624 praças, em 2015, entre outras conquistas.
É a partir de um olhar voltado para as pessoas que continuaremos trabalhando, apesar da queda de arrecadação tributária, para tornarmos a nossa cidade cada vez mais humana e sustentável.José Fortunati
Prefeito de Porto Alegre

* Artigo originalmente publicado no Jornal do Comércio de 23 de julho de 2015.

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