PENSAR E AGIR SUSTENTÁVEL*

“Pensar sustentável” é o que propõe a 29ª Semana do Meio Ambiente, desenvolvida pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) de Porto Alegre, agora sob a liderança de Cláudio Dilda, uma referência incontestável nessa área. O evento celebra um tema caro à nossa cidade, pioneira nas questões de meio ambiente. Mais do que isso, a proposta pressupõe uma reflexão sobre como tratamos o tema no município.

Podemos afirmar que estamos dando sequência à gestão que mais investiu nos últimos anos na questão ambiental na Capital. Somente no ano passado, entregamos 25 novas praças. Com isso, já somamos 612 praças, oito parques e três unidades de conservação. Hoje, a cidade conta com mais de 1,3 milhão de árvores em vias públicas, às quais se agregaram as 25 mil plantadas no último ano. Desafiamos qualquer cidade de grande porte da América Latina a apresentar dados que se aproximem dos que temos aqui.

No saneamento, estamos concluindo o Projeto Integrado Socioambiental (Pisa), um investimento de R$ 600 milhões que vai elevar de 27% para 80% o tratamento de esgotos e devolver a balneabilidade do Guaíba. Trata-se do maior programa de saneamento básico da última década no Brasil, conforme saúda a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.

Somos a cidade referência no atendimento dos animais de rua, o que, infelizmente, nem sempre é considerado como parte da política ambiental. Somos a única capital do país que faz coleta seletiva do lixo em todos os bairros pelo menos duas vezes por semana. Nos 18 galpões de reciclagem, oferecemos oportunidades de renda para mais de 800 ex-catadores. Somos a única capital a utilizar a coleta automatizada de lixo por contêineres. Hoje são 1,2 mil equipamentos, que serão duplicados até o final do ano, abrangendo novas regiões.

As ações mostram mais do que um pensar, senão que um agir em nome da sustentabilidade e do legado que queremos oferecer às gerações futuras. Por isso, decidimos enfrentar com dados concretos e propostas viáveis os questionamentos decorrentes das intervenções para a ampliação da Avenida Edvaldo Pereira Paiva, a Beira-Rio. Em meio à polêmica, faltou reafirmar que a via está planejada desde o Plano Diretor de 1979, ou seja, somos contestados até por cumprir o planejado para a cidade, sempre com o aval do Poder Judiciário.

Faltou levar em consideração que dos 115 vegetais que seriam removidos, a maioria deles estranhos à nossa região, os técnicos do município foram ao detalhe do projeto e preservaram mais 32 árvores. Faltou reconhecer que já estão sendo plantadas 401 árvores como compensação, além das mais de 2 mil nativas previstas na obra de revitalização da orla do Guaíba, que transformará a área num parque de lazer.
Faltou enfatizar os esforços e as propostas que fizemos ao grupo de manifestantes que impediam a continuidade da obra. Todas as tentativas de estabelecer convergências resultaram inúteis, o que nos permite supor que estavam em jogo outros interesses que não o bem comum.

Nada, entretanto, diminuiu o nosso ânimo de buscar o melhor para a cidade. Isso se reflete na homenagem que recebemos em fevereiro do Programa de Desenvolvimento da ONU, “em reconhecimento a sua notável contribuição e apoio ao Desenvolvimento Urbano, Sustentável e Inclusivo”. Por tudo isso, olhamos para o futuro, conscientes de que daqui a quatro anos nossa Porto Alegre será um lugar ainda melhor para se viver.

* Artigo publicado na edição desta sexta-feira, 7, na editoria de opinião do jornal Zero Hora.

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